Jornal da Universidade Federal do Pará. Ano XXX Nº 130. Abril e Maio de 2016

Física Experimental avança na UFPA

Professores querem atrair novos pesquisadores
e fortalecer a produção científica nessa área

por Alesson Rodrigues / Abril e Maio de 2016
foto Alexandre Moraes



A ciência tem descoberto formas de produzir materiais mais eficientes e funcionais que podem ser aplicados em uma grande variedade de áreas. Setores como saúde, energia, agricultura, recursos hídricos, entre outros, vêm sendo beneficiados pela pesquisa em Ciência dos Materiais há anos. Dentro deste ramo, a Física da Matéria Condensada ajuda a entender o comportamento da matéria nas suas estruturas mais básicas, ou seja, com base no comportamento e nas propriedades de seus átomos e moléculas, sendo esta uma área de estudos que cresce no Pará.

Ajudar a entender a matéria e contribuir para o crescimento da ciência na Amazônia são as duas principais missões do Grupo de Espectroscopia Eletrônica e Vibracional (GEEV) da Universidade Federal do Pará. O grupo foi criado, em abril de 2014, no Programa de Pós-Graduação em Física (PPGF) da UFPA, pelos professores Waldeci Paraguassu Feio e Newton Martins Barbosa Neto.

Apesar da pouca idade, o grupo já deu contribuições significativas para a ciência na região, com a publicação de nove trabalhos em revistas internacionais e a formação de um mestre. A ideia principal da criação do grupo foi contribuir com o desenvolvimento da Física Experimental, na área de matéria condensada e espectroscopia na Amazônia, um sonho que caminha com os fundadores do grupo desde que eram colegas de graduação. Dessa forma, a equipe vem contribuindo para o aumento da infraestrutura local da pesquisa, com a criação dos laboratórios em funcionamento e em fase de implantação.

Entre as pesquisas do GEEV, algumas já merecem destaque, como o estudo de materiais com estrutura do tipo metal orgânico. Recentemente, dois trabalhos foram realizados com esse tema pelo professor Waldeci Paraguassu Feio, em colaboração com pesquisadores do Institute of Low Temperature and Structure Research, na Polônia, e do Departamento de Física da Universidade Federal do Ceará (UFC). Esses trabalhos foram publicados na Revista científica norte-americana Inorganic Chemistry, considerada uma das revistas de grande impacto na área de Ciência dos Materiais.

Professores querem atrair novos pesquisadores para a área

Os artigos trazem valiosas contribuições para o entendimento da estabilidade e dos mecanismos de transformação estrutural de três compostos pertencentes à classe dos materiais com estrutura do tipo metal orgânico. Esses materiais, segundo Waldeci Feio, além de possuírem propriedades multiferroicas (materiais que têm dois parâmetros de ordem independentes que podem interagir), o que aumenta sua aplicabilidade em dispositivos eletrônicos, também possuem estrutura cristalina com altíssima área disponível, o que lhes dá grande potencial no uso em processos catalíticos e armazenamento de gases. “Alguns dos materiais com estrutura metal orgânica já vêm sendo testados em tanques automotivos com impressionante eficiência e podem representar uma completa revolução nesta área”, diz o professor.

Outra pesquisa do grupo que merece destaque é o trabalho realizado pelo professor Newton Martins Barbosa Neto, em colaboração com as Universidades Federais  de Minas Gerais (UFMG) e de Ouro Preto (UFOP), o Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e o Departamento de Materiais e Interfaces do Instituto de Ciências Weizmann, em Israel.

Publicado na Revista norte-americana NanoLetters, uma das mais importantes na área da Nanotecnologia, o artigo Strain Discontinuity, Avalanche, and Memory in Carbon Nanotube Serpentine Systems, que pode ser traduzido para Tensão descontínua, avalanche e memória em sistemas serpentinos de nanotubos de carbono, analisa o comportamento de várias serpentinas de tubos de carbono de 1 nanômetro (equivalente a 1 milímetro dividido em 1 milhão de partes) de diâmetro, que foram arrastadas em uma superfície de quartzo cristalino, para que fossem observados os processos de interação entre os materiais. Um dos objetivos é descobrir como os átomos dos materiais manipulados se comportam, além de desenvolver novas formas de trabalhar com a escala nanométrica.

A principal conquista dos trabalhos foi o fortalecimento da produção científica no campo da Física Experimental na Amazônia, área que ainda é pouco explorada na região. “A Amazônia é um parque gigantesco de matéria e quase ninguém pesquisa isso, até mesmo pela baixa densidade de pesquisadores. O nosso objetivo é construir interesse pela pesquisa em Física Experimental no Pará”, afirma o professor Newton Neto. Segundo os professores, o Estado do Pará possui apenas quatro pesquisadores do CNPq que se dedicam à Física Experimental, número que ainda é muito reduzido para os padrões nacionais e internacionais.

comentários (1)
Parabens
escrito por Dalton Hollen Dias Aniceto De Lima, junho 11, 2016
Fico feliz en saber que existem pesoas no Brasil e principalmente na Amazônia que buscan inovar o rubro científico. Tenho orgulho por vocês. Sigam adiante.

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